Edição 469
Não é razão para festejarmos, mas é razão para estarmos otimistas
A crise violenta, que os portugueses vivem desde 2008, não foi só provocada pela crise financeira internacional, evidenciada a partir da crise no mercado imobiliário norte-americano, foi também provocada pela má governação dos dinheiros públicos. Os responsáveis da governação do país, gastaram muito acima das nossas possibilidades, gastando o que tínhamos e o que não tínhamos, pondo em causa a nossa qualidade de vida e o nosso futuro.
Em pouco mais de seis anos de governação «socrática», de 12 de março de 2005 a 21 de junho de 2011, o défice das contas públicas e o crescimento da dívida pública entraram num descalabro assustador. Nos três últimos anos de governação de José Sócrates, a dívida pública subiu 53 mil milhões de euros, qualquer coisa como 35% do PIB – Produto Interno Bruto. Foi um «regabofe» nacional, que ainda hoje estamos a pagar!
Para se endireitar as contas públicas, foi preciso tomar muitas medidas impopulares e gravosas, que afetaram o rendimento dos portugueses. Felizmente, a nossa economia já está a dar muitos sinais de retoma, que dará origem ao abrandamento da austeridade. A recuperação económica virá não só das exportações, que cresceram 5,7%, no ano passado e ultrapassaram todas as previsões mais otimistas, mas também virá do mercado interno, o que demonstra uma certa estabilidade, mas também uma certa recuperação e dinamismo. Este ano e no próximo, o crescimento da economia portuguesa tenderá a aproximar-se dos valores atualmente projetados para o conjunto da Zona Euro.
Tem havido um aumento significativo da produção industrial e da agricultura. No último trimestre de 2013, o crescimento em cadeia do PIB foi positivo em três trimestres consecutivos. Este crescimento já não se verificava desde o último trimestre de 2010. Apesar de ainda haver níveis de desemprego elevados, a taxa de desemprego em Portugal desceu nove meses consecutivos no ano passado e estagnou nos primeiros meses deste ano.
O prémio de risco que os investidores estão a exigir para comprar dívida portuguesa em detrimento da alemã (o chamado “spread”) está mais baixo, recuando em 7 de abril de 2014, para 227,7 pontos base (representa o valor mais baixo desde 2010). Portugal volta a estar na rota dos investidores estrangeiros. No espaço de apenas um ano, o número de projetos de investimento por parte de empresas estrangeiras no nosso país praticamente duplicou e atingiu mais de mil milhões de euros (mais 200 milhões do que no ano anterior), que permitiu criar 2.900 postos de trabalho e a manutenção de mais 16 mil postos de trabalho.
A confiança na economia portuguesa está expressa no nível de risco que está bem espelhado nas taxas de juro da dívida pública portuguesa. A taxa de juro implícita nas obrigações portuguesas a dois anos desceu, em 9 de abril de 2014, desceu para 0,969% (o valor mais baixo desde 1996). Na maturidade a cinco anos a taxa de juro desceu, também em 9 de abril de 2014, para 2,55% (o valor mais baixo desde 2005). A taxa a 10 anos baixou, em 7 de abril de 2014, aos 3,832% (o valor mais baixo desde dezembro de 2009).
Em 6 de abril de 2011, fez 3 anos, o então primeiro-ministro José Sócrates anunciou um pedido de assistência financeira a Portugal. Ao fim de três anos e 11 avaliações positivas, o protetorado da «troika» vai terminar ainda este semestre. Felizmente! Ainda não é razão para festejarmos, mas é razão para estarmos otimistas, pois os sinais consistentes de recuperação económica, são muitos. Para bem de Portugal e dos portugueses!
José Maria Moreira da Silva
moreira.da.silva@sapo.pt
www.moreiradasilva.pt
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