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Edição 640

“Os titulares de cargos políticos deveriam estar mais preocupados com atitudes arbitrárias que geram abusos de poder.”

 

O Clube Slotcar da Trofa lança mais duas atividades: o futsal sénior federado e uma companhia de teatro juvenil, reforçando assim o ecletismo que o tem caracterizado.
O Notícias da Trofa entrevistou o presidente do Clube, João Pedro Costa, em vésperas de terminar o seu mandato à frente dos destinos da coletividade.

 

NT: O Clube Slotcar da Trofa tem apresentado um leque de atividades diversificadas. Que novidades estão previstas para os próximos tempos?
João Pedro: A grande novidade do Clube Slotcar da Trofa continuará a ser a constante afirmação da sua identidade, mesmo com toda a conjuntura adversa que temos tido à nossa volta, mantemo-nos fiéis aos nossos princípios e com um ADN juvenil muito vincado. O facto de sermos uma associação juvenil, integrada no Instituto Português do Desporto e Juventude, obriga-nos a ser diferentes, a querer sempre mais e melhor! Por isso vamos continuar a ser transversais nas nossas ações, indo desde o desportivo ao cultural, sem nunca esquecer o social.
De novo, no campo desportivo, o futsal sénior federado onde apresentamos um projeto muito bairrista, já que a maioria dos atletas e equipa técnica são da Trofa. Acredito que com o espírito de grupo que está criado iremos longe. Depois, na área cultural, vamos assistir ao nascimento de uma companhia de teatro juvenil, também com muita gente da Trofa envolvida. O segundo livro do Trofi será igualmente uma realidade e contará com mais uma grande parceria, as histórias já estão escritas e o livro está já em fase de ilustrações.
Nas iniciativas promovidas pela Câmara Municipal da Trofa continuaremos a marcar presença ativa na festa da juventude “BeLive”, nos jogos juvenis “Trofíadas” e nos campeonatos de veteranos de Futebol Popular, entre outros onde faça sentido a nossa presença.
Depois, tudo o resto, e no essencial, será novamente replicado do plano de atividades do ano anterior: atividades solidárias, em especial a caminhada a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro, o Raid fotográfico com exposições de fotografia, as atividades de videojogos com a realização de Lan-partys. Mantêm-se, ainda, o futebol de formação na Academia da Louseira, o bilhar federado e a reedição do ciclo de conferências “O sentido da vida”. A sede, que serve de suporte a algumas atividades, continuará a ser dinamizada com a presença das bandas de garagem para animar os finais de semana onde temos muitos jovens a dar reforço à identidade do Slotcar.

NT: Atividades emblemáticas, como as 24 Horas do Slotcar da Trofa, ou, mais recentemente, o concurso de bandas de garagem não se realizaram no último ano. Porquê?
João Pedro: Tudo por uma questão de equilíbrio financeiro da associação, são projetos muito dispendiosos. Temos de fazer opções num orçamento anual muito baixo, onde os constrangimentos financeiros são elevados. Se lhe disser que o orçamento disponível para tudo o que realizamos ronda os 50 mil euros por ano, falamos do milagre da multiplicação.
O facto de nos terem sido cortados os apoios municipais, há já quase dois anos, causa os seus estragos, o que é pena porque, além do Clube, sai a perder a comunidade. Concentramo-nos sempre naquilo que dominamos e o que não dominamos procuramos desvalorizar, se não há apoios financeiros há vida e vontade de trabalhar, procuramos, por isso, criar novas relações com a comunidade. Do diálogo aparecem, assim, novas ideias, novos métodos e os resultados estão à vista, como diz o ditado, “a necessidade aguça o engenho.”
Mesmo estes projetos que estão adormecidos, daqui a nada, voltam, por sabermos que as responsabilidades deste grupo e deste Clube são enormes.

NT: A presença nas instalações do Aquaplace tem sido determinante nesta afirmação do Clube Slotcar da Trofa?
João Pedro: A pergunta deve ser colocada de outra forma, o que era o espaço do bar do Aquaplace antes da chegada do Clube Slotcar da Trofa?
As pessoas não são estúpidas e sabem distinguir o boato da realidade. Trouxemos inovação e vida a um espaço envelhecido e morto.
O processo para lá estarmos é público, porque de um concurso público se tratou. Somos, por isso, a terceira entidade a explorar aquele espaço, mas com uma diferença dos que nos antecederam, investimos 35 mil euros com fundos próprios. Só assim podemos fazer a diferença e sem precisarmos de dinheiro público. Não devemos nada a ninguém e temos muito orgulho na nossa conduta e na forma como trabalhamos para o bem da comunidade, que tanto gostamos de servir. É tudo tão transparente que até colocamos na sede do Slotcar um dossier com todo o processo de candidatura para ser consultada pelos nossos associados, se alguém o quiser ver é só chegar lá e pedir que lhe será prontamente exibido.
Tendo sido veiculado pelo Município de que não pagamos gás, e nem gás temos ligado, de que não pagamos água e os consumos estão liquidados, ou de que não pagamos alguma fatura de eletricidade são tudo imputações falsas e, como tal, serão apreciadas pelo tribunal. Aliás, a propósito, esta matéria será objeto de participação ao Ministério Público, para averiguar dos ilícitos no modo como o Clube Slotcar da Trofa vem sendo tratado por este executivo camarário — é que quem não deve não teme.

NT: Com tantas adversidades, qual é a fórmula para aglutinar tanta gente em torno do projeto Clube Slotcar da Trofa?
João Pedro: Não há propriamente uma fórmula. Penso que o importante é fazermos uma proposta clara dos objetivos que pretendemos atingir com cada uma das ações. Depois, transmitirmos que no movimento associativo trabalhamos de graça, logo só nos devemos envolver em tarefas de que verdadeiramente gostamos, disfrutando assim do lazer que deve ser a integração no movimento associativo. Importante ainda é o compromisso que tem de ser forte, quem não pode ou não quer fazer algo deve deixar claro, para que o grupo se possa organizar. Com clareza, alegria e compromisso, é só somarmos as partes e concretizar projetos.

NT: Mas a parte financeira como se ultrapassa, o dinheiro é sempre importante?
João Pedro: Com a clareza de que falei, não há dinheiro, o orçamento é mesmo só de 50 mil euros por ano, agora com organização podemos ser muito fortes. O tempo de trabalho gratuito de todos os que se envolvem no associativismo é uma fortuna, só tem é que ser bem gerido. O valor do orçamento que referi serve apenas para pôr os projetos em andamento e dar-lhes algum equilíbrio, a tal estrutura imprescindível em qualquer organização. Ter uma coordenadora que desempenha as funções na perfeição é fundamental para a ligação de setores. A direção é composta ainda por 19 membros, sendo que em média temos 14, 15 presenças em cada uma das reuniões mensais, o que torna o passa a palavra muito mais fácil.

NT: O João Pedro já deixou claro que discorda das políticas do atual executivo na área do associativismo, onde o clube está inserido, nomeadamente na atribuição de verbas. Foi isso que esteve na origem do mal-estar com a Câmara Municipal?
João Pedro: Confesso que por vezes tenho alguma dificuldade em perceber a conduta dos responsáveis pelo município. Até meados de 2015 diria que o relacionamento era normal, apesar de algum mal-estar entre as partes quando os questionava sobre a repartição de verbas, destinadas no orçamento da Câmara Municipal para o desenvolvimento do associativismo desportivo, recreativo, cultural e social e o que me parecia ser alvo de uma grosseira arbitrariedade na interpretação do plasmado nos regulamentos. Existir uma coletividade, em 2014, a quem foi atribuído 135 mil euros, deixando todas as outras coletividades com uma fatia de apenas 35 por cento do disponível pareceu-me estranho!
Tal apoio, para além de injusto, é ilegal, e por muito que todos possamos gostar dessa coletividade, dado a sua história, a realidade é que se tratava de uma estrutura frágil, estando mesmo com a categoria de insolvente, com dívidas ao Estado de há mais de uma década e numa situação de PER, tentativa de recuperação, factos, aliás, do domínio público.
Por outro lado, a argumentação de que tais verbas se destinavam ao apoio à formação, desse ano, ainda acendeu mais o meu descontentamento e desconfianças, tanto mais que as manifestações públicas, por parte de dirigentes da formação, indicavam que no departamento pouco ou nada tinha mudado.
Para quem se dedica há mais de uma década ao serviço do associativismo, em particular do associativismo jovem, onde os recursos são poucos e a aposta deveria ser redobrada, fiquei desiludido! Quem está no terreno e assume responsabilidades é que sente. Como diz o ditado “Quem não se sente, não é filho de boa gente” e no verão de 2015 manifestei-me publicamente sobre o caso, contando, em simultâneo, as minhas inquietações às autoridades que me parecem competentes para investigar estes casos, afinal vivemos num estado de direito. Tal era um imperativo de consciência e decidi fazê-lo a título pessoal. A partir daí, os responsáveis municipais começaram a confundir tudo, confundindo o cidadão João Pedro com o presidente do Clube Slotcar da Trofa, passando o Clube que presido a ser vítima de perseguição e de danos quer financeiros, quer ao nível do seu bom nome!
Procuro ser sempre coerente e responsável, quer nas minhas afirmações quer nos meus atos, e a este propósito solicitei, e foi aceite pelo juiz, a minha constituição como assistente do processo. Assim, poderei colaborar no apuramento e esclarecimento da verdade em abono da transparência e credibilização da Administração Pública.
É um processo do Golias contra o David, é preciso dar tempo ao tempo. Os titulares de cargos políticos deveriam estar mais preocupados com atitudes arbitrárias que geram abusos de poder.

NT: A estrutura a que se refere é o Clube Desportivo Trofense? E em que se consubstanciam essas perseguições?
João Pedro: Sim, já o afirmei publicamente. Embora é importante separar a paixão pelo Clube dos atos que são praticados em seu nome ou a coberto deste. Sou sócio do Clube Desportivo Trofense, com quotas em dia, e quero muito que ele recupere a dignidade que merece e que os trofenses se orgulhavam, mas não pode ser a qualquer custo, utilizando o dinheiro público.
Vivemos em sociedade, num estado de direito, com regras claras para que o público se relacione com o privado, não pode ser ao estilo da república das bananas! Não me parece lógico que possa ter sido atribuído a um clube de futebol mais do que foi entregue aos bombeiros, ou até o que o presidente da junta de freguesia do Muro teve para administrar durante esse ano de 2014.
Estranho, igualmente, depois da minha denúncia, nada mais ter sido atribuído ao Clube Desportivo Trofense, nos anos de 2015, 2016 e 2017.
Claro está que ao afirmar que o Município favoreceu o Clube Desportivo Trofense, não é de estranhar que o modus operandi de arbitrariedades se tenha replicado, que sentimos ser um desvio ou abuso da função de governar este concelho, não atribuindo quaisquer apoios ao Clube Slotcar da Trofa, em 2016 e 2017, isso é confundir tudo, arrasar as normas porque se deve reger qualquer município, na qualidade de primeiro guardião dos interesses dos munícipes, e é perseguição porque além de prejudicar o Clube Slotcar da Trofa, compromete todo o desenvolvimento integrado do concelho.

NT: O João Pedro tinha referido, há 3 anos, que seria o último mandato, que acabará no próximo mês de outubro, mantém-se ou será candidato?
João Pedro: O meu desafio, que penso ser o mais importante no dirigismo associativo, foi criar uma estrutura que não esteja dependente de pessoas, e por isso não está dependente de mim, está antes unida em torno de um projeto e de um conjunto de ideias claras, de princípios, e acima de tudo, de valores.
O Clube Slotcar da Trofa é um clube juvenil, com excelentes dirigentes lá formados e já muito experientes, vai tornar-se um caso sério na Trofa e na região. Estou certo de que aparecerão candidatos para renovarem e reforçarem o espírito, dando azo a uma obrigação de um clube juvenil, privilegiar o dirigismo dos mais novos. Devo, por isso, dar o exemplo e dar o meu lugar aos mais novos.

NT: O nome do João Pedro Costa foi muito veiculado, de que poderia ser candidato à Câmara da Trofa. Teve algum fundo de verdade ou é algo com o que se possa contar nos próximos tempos?
João Pedro: Nunca ninguém me ouviu dizer que estava disponível para o exercício de qualquer cargo político, nem nunca manifestei tal ambição. Ainda não senti vontade de servir a comunidade dessa forma, além de ser muito apaixonado pela minha profissão, sinto-me realizado e isso basta-me.
De facto, muitas pessoas me incentivaram para tal, pessoas a quem desde já agradeço, mas prefiro, por agora, continuar a ter tempo para estar muito próximo da minha família, depois, nos tempos vagos, dar um pouco de mim à comunidade, fazendo voluntariado nas valências e associações locais em que participo, expressando-me livremente em conversas ou em crónicas. Sou trofense de pleno direito, que está interessado na sua terra, no seu desenvolvimento e na qualidade de vida que esta pode e deve proporcionar a todos, os que aqui residem e que aqui se deslocam.

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