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Edição 634

Há pouco mais de um ano, e se a memória não me falha neste jornal, e posteriormente no blogue …e a Trofa é minha, o meu amigo João Pedro Costa escreveu um pequeno artigo sobre o problema da falta de sombras no parque infantil dos parques Nossa Senhora das Dores/Dr. Lima Carneiro. De forma sucinta traçou o diagnóstico, elencou sugestões de melhoria e chegou a inevitável conclusão: as crianças não votam.
Um ano depois, a obra lá viu a luz do dia. A “ampliação do espaço de jogo e recreio dos parques Nossa Sra. Das Dores e Dr. Lima Carneiro” foi adjudicada por 124.473,90€ à empresa Ereserv Mobiliário Urbano Unipessoal Lda., com um prazo de execução de 30 dias, pode ler-se na placa informativa que se encontra junto da obra. Porém, no dia em que este texto chega às bancas, a obra caminha a passos largos para se prolongar pelo dobro do tempo inicialmente contratualizado. São as autárquicas, dirão. Com tanta obra pré-eleitoral em marcha, as construtoras não têm mãos a medir. Mas esfregam-nas bem.
Ora, quando me deparo com um caso destes, em que uma obra simples e absolutamente necessária – penso que será consensual, da esquerda à direita, que com a saúde das crianças não se brinca – é sucessivamente adiada, até que decide dar o ar da sua graça no início do Verão, precisamente quando é mais expectável, por motivos óbvios, que a procura pelo parque infantil aumente, não consigo evitar a perplexidade. Que fantástico timing! Fechar aquele espaço no início do Verão é de mestre e qualquer semelhança com a tradição autárquica eleitoral deste país é mera coincidência.
Infelizmente, as obras neste concelho, e não é de agora, não andam à velocidade supersónica da obra da Alameda da Estação. Ou pelo menos da parte que foi necessária para aquele gigantesco comício, perdão, inauguração, com que os trofenses (essencialmente de Bougado) foram presentados a dois ou três dias do arranque da campanha eleitoral da coligação Unidos pela Trofa (PSD/CDS-PP). Outra daquelas coisas que encaixam na categoria já citada de semelhanças que na verdade são meras coincidências.
Mas quem se recorda da forma como obra da Alameda avançou, e eu recordo-me muito bem, uma vez que vivo junto dela, sabe que se tratou de uma execução “anormal”, considerando que vivemos num concelho onde a esmagadora maioria as obras se arrastam para lá do seu prazo contratual de execução. Bem para lá. Mas a Alameda não. A Alameda pôs muitos trabalhadores no corredor central da cidade, muitas vezes durante o fim-de-semana, e a obra andou a um ritmo nunca antes visto nesta terra. Nem com anteriores executivos, nem com o actual.
O parque infantil, contudo, não consegue acompanhar o fenómeno da Alameda. E acredito que sejam diferentes, as variáveis que jogam contra a sua rápida execução, mas há algo que me parece muito claro: a importância estratégica do parque infantil não é sequer comparável à da Alameda da Estação. Até a sede de campanha da coligação, que tanto quanto sei nunca tinha ocupado o edifício da sede do PSD (nem no tempo em que o PSD corria sozinho e o CDS-PP existia eleitoralmente), sai beneficiada com esta grande obra. Não admira a escolha do PS Trofa para sede de campanha. A Alameda é uma excelente localização para festejar uma vitória eleitoral.
Nos meses que antecedem as eleições autárquicas, tudo parece acontecer. As grandes obras surgem, as pequenas também, as adiadas são recuperadas e até algumas que não estavam planeadas aparecem, como que por magia. Uma época de fartura, festas e promessas, feita de ilusões e rasteiras, onde lá vão aparecendo uns programas, sempre muito tímidos, que de resto acabam por cair em desuso no dia a seguir ao sufrágio. Com a mesma velocidade e que se transformou o antigo canal numa bonita e acolhedora Alameda da Estação.

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